Coluna: Marketing, comunicação e marca
Colunista: Arthur Moraes
Quando começamos a desenhar o SulSeguro, havia uma certeza antes mesmo de existir um site, uma marca ou uma primeira reportagem: queríamos humanizar o mercado de seguros. Parece até contraditório dizer isso sobre um setor que vive de proteger pessoas, mas durante muito tempo quem olhava para ele enxergava mais cargos do que gente. Eram diretores, presidentes, executivos... todos impecavelmente vestidos, de terno, gravata, crachá no peito e agenda lotada. A impressão era de que, ao entrar na empresa, a pessoa deixava a própria história na portaria.
Lembro que, ainda na fase de planejamento, fiz essa pergunta para algumas pessoas do mercado: "Será que o mercado está preparado para ser mais humano?". A resposta era quase sempre a mesma. Uns riam, outros pensavam alguns segundos e diziam: "Alguém tem que tentar para ver."
Resolvemos tentar.
E descobrimos que existe uma enorme diferença entre entrevistar um executivo e conversar com uma pessoa. Quando o assunto deixa de ser faturamento, crescimento, estratégia ou resultado e passa a ser infância, família, medo, erros e sonhos, acontece uma coisa curiosa: o cargo continua ali, mas deixa de ser o protagonista. O executivo tira o crachá, mesmo que simbolicamente, e volta a ser apenas alguém que construiu uma história para chegar até onde chegou.
Foi justamente por isso que nasceu o No Caminho Eu Te Conto. A ideia parecia simples: dar uma carona para um profissional do mercado de seguros e, durante o trajeto, conversar sobre a vida. Não sobre a empresa. Sobre ele.
Já gravamos alguns episódios e cada um deles reforça a mesma certeza. Um deles aconteceu dentro de um Fusca 1979. Não escolhemos o carro pela nostalgia. Escolhemos porque aquele Fusca foi o primeiro carro daquele corretor e o acompanhou durante praticamente toda a sua trajetória profissional. Cinquenta anos depois, ele voltou a ser cenário de uma viagem importante. Dessa vez, não para visitar clientes, mas para revisitar memórias. Confesso que em alguns momentos parecia que quem dirigia a conversa era o próprio Fusca.

Depois de alguns quilômetros, e alguns episódios, aprendi outra coisa. Um carro tem um poder curioso. Talvez porque ninguém fique frente a frente o tempo inteiro. Talvez porque olhar para a estrada facilite olhar para dentro. O fato é que, dentro daquele espaço pequeno, as pessoas riem muito. E choram também. Às vezes, bastante.
Como jornalista, sei que acessar o interior das pessoas nunca foi uma tarefa simples. Fazer alguém falar das próprias dores, dos medos, das inseguranças e até dos fracassos exige confiança. Mas, quando isso acontece, percebemos que existe algo muito maior do que uma boa entrevista. Existe aprendizado. Porque toda história carrega uma lição, e todo erro pode se transformar em exemplo para quem está começando.
Humanizar não significa abandonar o profissionalismo. Significa lembrar que por baixo daquele terno existe um pai que se emociona ao falar do filho. Uma mãe que precisou conciliar carreira e família. Um presidente que quase desistiu da profissão. Um executivo que ainda ri ao lembrar da primeira grande trapalhada da carreira. São essas histórias que criam conexão. E conexão vale muito mais do que um currículo impecável.
É por isso que acredito que o SulSeguro não nasceu para ser apenas mais uma mídia especializada em cobrir o mercado de seguros dos três estados do Sul. Nosso propósito é mostrar que um mercado que vende cuidado, proteção e tranquilidade também é feito de pessoas que sentem medo, erram, recomeçam, comemoram, choram e dão risada.
Humanizar cria conexões mais verdadeiras. Aproxima. Derruba a distância que, durante muito tempo, existiu entre quem trabalha no mercado e quem está do lado de fora dele. A sociedade precisa enxergar que, por trás de uma apólice, de um sinistro ou de uma grande decisão corporativa, existem pessoas que escolheram dedicar a vida a proteger outras pessoas.
Talvez seja justamente aí que esteja o maior desafio, e também a maior oportunidade, do mercado de seguros: mostrar que quem vive de proteção também tem suas cicatrizes, seus medos, suas histórias e seus afetos. Porque, no fim das contas, ninguém se conecta com um cargo. As pessoas se conectam com pessoas.
Arthur é jornalista, pós-graduado em Branding, Marketing e Experiência Digital, com formação também em Produção Audiovisual pela Academia Internacional de Cinema.
Ele acredita no poder transformador da comunicação. E através da inovação e de estratégias modernas de marketing, baseadas em propósitos humano e verdadeiro, ajudou a criar e manter marcas fortes do mercado de seguros.
Email: arthur@sulseguro.com





