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Da fábrica ao mercado: como funciona o seguro por trás dos ovos de Páscoa?

Especialista explica a proteção securitária para o transporte de cargas frágeis como ovos de chocolate



2 de abril de 2026

Por InfoMoney
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Nos corredores de supermercados tomados por fileiras de ovos de Páscoa pendurados nesta época do ano, uma questão passa despercebida pela maioria dos consumidores: como produtos tão frágeis conseguem chegar intactos até ali?

O transporte desses ovos de chocolate envolve uma engrenagem logística complexa e cara. Entre riscos de quebra, derretimento e roubo de carga, o seguro se tornou fundamental para proteger milhões de reais que circulam em poucas semanas.

De acordo com Denis Teixeira, vice-presidente sênior de logística e transportes da Alper Seguros, o desafio começa na própria natureza do produto.

“O seguro de transporte precisa olhar para dois pontos principais: a fragilidade física e a sensibilidade térmica”, explica o especialista. O chocolate, além de altamente suscetível a avarias no manuseio, pode perder completamente o valor comercial com pequenas variações de temperatura.

Na prática, isso significa que o seguro tradicional nem sempre é suficiente. Em casos de falha no sistema de refrigeração do caminhão que transporta os produtos, a cobertura básica pode não garantir indenização.

“O ideal é que a apólice [contrato de seguro] tenha cláusula específica para deterioração de carga ou variação de temperatura”, diz Teixeira. Sem essa previsão, há risco de negativa da indenização (valor pago pela seguradora ao segurado).

Do transporte à gôndola

A malha rodoviária brasileira adiciona outra camada de risco. Trepidações excessivas, buracos e acidentes podem comprometer a integridade dos ovos, conhecidos pela estrutura oca e delicada. Nesses casos, o processo de indenização depende de comprovação rigorosa.

Além da fragilidade, o alto valor agregado transforma o chocolate em alvo frequente de roubos de carga, especialmente no período que antecede a Páscoa.

O aumento no volume de transportes concentrados em uma janela curta intensifica o problema. Para mitigar perdas, empresas têm ampliado o uso de tecnologias de rastreamento, monitoramento em tempo real e até escolta armada, dependendo da rota e do valor embarcado.

Esse cenário impacta diretamente o custo do seguro. Isso porque o preço da apólice leva em conta variáveis como:

  • tipo e valor da mercadoria
  • sensibilidade térmica
  • embalagem
  • trajeto
  • histórico de sinistros (ocorrência do risco previsto no contrato, como roubo)
  • nível de gerenciamento de risco da operação

A sazonalidade também pesa: quanto maior a concentração de embarques em pouco tempo, maior a exposição ao risco — e, consequentemente, maior também fica o prêmio (valores que os clientes pagam ao comprar o seguro).

No fim, essa conta pode chegar ao consumidor. Segundo Teixeira, possibilidade de roubos, avarias ou falhas operacionais, pressionam fretes, seguros e investimentos em prevenção. “Parte desse custo pode ser repassada ao preço final do produto”, diz. Em anos mais críticos, o impacto pode ser percebido diretamente nas gôndolas.

Em uma data como a Páscoa, perder a mercadoria na semana decisiva pode significar um prejuízo ainda maior para quem produz e/ou vende, já que não há tempo hábil para reposição e venda.

Mais do que indenizar prejuízos, o papel das seguradoras tem evoluído para a prevenção. A atuação inclui análise de rotas, revisão de processos, recomendação de embalagens e definição de estratégias de gerenciamento de risco.

“A lógica não é apenas reagir ao sinistro, mas evitar que ele aconteça”, afirma Teixeira.




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