Por Veja
Um tribunal de Manhattan recusou, nesta quarta-feira, dia 1º, o pedido de adiamento do julgamento federal de Luigi Mangione para o próximo ano, uma solicitação da equipe de defesa que se disse demasiado sobrecarregada devido ao processo simultâneo contra seu cliente na esfera estadual, que começa no final de junho, em Nova York. O início das audiências da ação paralela foi marcado para 5 de outubro, apenas um mês após a data prevista anteriormente.
Margaret Garnett, do Tribunal Federal de Manhattan, afirmou que o início efetivo do julgamento, com as alegações iniciais e os depoimentos de testemunhas, terá início pouco após a seleção dos jurados (em 26 de outubro ou 2 de novembro).
Mangione, 27 anos, será julgado pelo assassinato de Brian Thompson, CEO de uma das maiores seguradoras de saúde nos Estados Unidos, a UnitedHealthcare. A morte do executivo, em 4 de dezembro de 2024, desencadeou uma extensa operação nacional para encontrar o atirador.
O caso também intensificou a indignação do público com o setor de saúde com fins lucrativos, ao mesmo tempo em que elevou o autor do crime ao status de herói popular entre um forte contingente de admiradores. A audiência desta quarta contou com cerca de duas dúzias de fãs de Mangione. Como em audiências anteriores, vários vestiam-se com trajes de cor verde – uma referência ao personagem da Nintendo, Luigi.
Pedido de adiamento
Ao pressionarem pelo adiamento, os advogados do acusado afirmaram em carta a Garnett: “O Sr. Mangione agora se encontra na posição de precisar se preparar para dois julgamentos complexos e sérios simultaneamente… Esse cenário viola diversos direitos constitucionais do Sr. Mangione.”
Eles argumentaram que seu cliente “tem o direito de participar de forma significativa em todas as etapas de seu julgamento, incluindo o processo de seleção do júri”. Pelo cronograma atual, afirmou a defesa, Mangione precisaria examinar 800 questionários de júri na semana de 29 de junho – durante seu julgamento estadual por homicídio em segundo grau. Além disso, ele precisaria voltar do tribunal todos os dias para dormir na prisão, reduzindo o tempo que teria com os advogados. “Na prática, isso seria impossível”, atestaram.
A equipe do réu também reclamou que potenciais jurados do caso federal poderiam ser expostos simultaneamente aos procedimentos no âmbito estadual. “Eles serão constantemente bombardeados com notícias e publicações em redes sociais relacionadas às alegações e provas contra o Sr. Mangione antes de serem selecionados”, concluíram.
Os promotores se opuseram à proposta de adiamento, argumentando que havia outras alternativas que dariam a Mangione e sua equipe tempo suficiente para preparação, como “modificações específicas no processo de questionário” dos jurados.
“O público também tem direito a um julgamento rápido, especialmente em um caso tão importante quanto este”, disse o promotor Dominic Gentile ao tribunal nesta quarta. “Vossa Excelência só precisa olhar pela janela para ver as pessoas que apoiam este réu e acreditam que o que ele fez foi correto.”
Penas altas
Em ambos os julgamentos, Mangione pode ser condenado à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. As duas acusações poderiam ter acarretado a pena de morte solicitada pelo governo do presidente Donald Trump. No entanto, essa possibilidade foi rejeitada pela juíza Margaret Garnett no fim de janeiro.
Mangione, cuja família vive em Baltimore (Maryland), é acusado de ter atirado a sangue frio contra o diretor da UnitedHealthCare, Brian Thompson, de 50 anos, em uma rua de Manhattan em 4 de dezembro de 2024. O acusado fugiu, mas cinco dias depois foi detido em um restaurante McDonald’s, na Pensilvânia, a cerca de 370 quilômetros do local do crime.
Desde então, o caso se tornou um símbolo da insatisfação dos americanos contra as empresas de seguros de saúde.
Mangione — que possui uma base de seguidores, a maioria mulheres que frequentemente comparecem às suas audiências — declarou-se inocente de todas as acusações.
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