Uma Copa para sentir: dicas que contam o lado humano do futebol

A magia da Copa também aparece nas histórias, personagens e lembranças que o esporte deixa pelo caminho



Intervalo Cultural
26 de junho de 2026

Por 🏆 Julia Schneider
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A cada quatro anos, o planeta muda de ritmo. As conversas passam a girar em torno dos jogos, comentários sobre os jogadores, as bandeiras reaparecem nos estabelecimentos, famílias se reúnem diante da televisão e até quem costuma dizer que "não entende de futebol" acaba acompanhando um resultado ou outro. Eu, confesso, sou uma dessas pessoas. Mesmo não sendo muito ligada ao esporte, entretanto, é impossível não se envolver com as histórias incríveis que surgem.

A verdade é que Copa do Mundo nunca foi apenas sobre os 90 minutos dentro de campo. Ela inspira filmes, documentários, livros, músicas, campanhas publicitárias e histórias capazes de emocionar.

Neste fim de semana, enquanto a bola continua rolando pelos gramados do Mundial, o Intervalo Cultural separou três sugestões para mergulhar nesse universo por diferentes perspectivas.

Para assistir: Brasil 70 - A Saga do Tri

Algumas Copas do Mundo entram para a história não apenas pelo que aconteceu dentro de campo, mas pelo significado que carregam fora dele. A Copa de 1970 é um desses momentos.

O documentário Brasil 70 revisita aquele Mundial que ficou marcado como uma das maiores páginas do futebol brasileiro: a conquista do tricampeonato no México, com uma seleção que reunia nomes como Pelé, Jairzinho e Carlos Alberto Torres. Mas o filme vai além dos gols e da taça. Ele resgata o clima de uma época em que o futebol ocupava um espaço enorme no imaginário brasileiro, mostrando como aquele time se tornou um símbolo cultural e como aquela conquista atravessou gerações.

Mais do que uma história sobre uma equipe vencedora, Brasil 70 é um convite para entender por que algumas lembranças esportivas permanecem vivas por décadas. É uma ótima escolha para assistir durante a Copa: uma viagem no tempo que mistura esporte, emoção e memória afetiva.

Para ler: Febre de Bola, de Nick Hornby

Poucos livros conseguiram explicar tão bem por que o futebol ocupa um espaço tão importante na vida de milhões de pessoas.

Publicado em 1992, Febre de Bola mistura autobiografia, memória e crônica para contar a relação do escritor inglês Nick Hornby com o Arsenal. Mas reduzir a obra a um livro sobre um clube seria injusto. Na prática, Hornby escreve sobre infância, amizade, família, identidade e pertencimento. O futebol aparece como pano de fundo para refletir sobre a vida.

O livro continua atual mais de trinta anos depois e costuma conquistar até leitores que nunca acompanharam um campeonato inteiro. Durante uma Copa, a leitura ganha um significado ainda maior: lembra que o esporte é capaz de criar memórias afetivas que atravessam gerações.

Outra sugestão para assistir: O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias

Enquanto muitos filmes sobre futebol escolhem mostrar craques, grandes estádios e momentos decisivos, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias segue outro caminho: usa a Copa do Mundo como cenário para contar uma história muito mais íntima.

O filme brasileiro dirigido por Cao Hamburger acompanha Mauro, um menino de 12 anos que, durante a Copa de 1970, é deixado pelos pais na casa do avô em São Paulo. O que deveria ser apenas uma breve separação se transforma em uma grande mudança quando ele precisa lidar com a ausência da família, novos amigos e um mundo completamente diferente.

A Copa aparece ao fundo, com a expectativa pelo tricampeonato brasileiro e a energia de um país inteiro acompanhando os jogos. Mas o futebol funciona como uma espécie de fio condutor para falar sobre amadurecimento, esperança e sobre como grandes acontecimentos históricos também são vividos pelas pessoas comuns.

É um filme delicado, emocionante e que mostra uma das maiores forças do futebol: a capacidade de marcar momentos da vida que vão muito além do resultado no placar.

 

Que o fim de semana venha com bons jogos, boas histórias e, principalmente, bons momentos para compartilhar.




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