16 de março de 2026
Por 🏆 Julia Schneider
Alexandre Campos, Vice-Presidente de RH, Jurídico, Compliance e ASG da AXA no Brasil
A violência doméstica e sexual ainda é um tema cercado por silêncio, inclusive dentro das empresas. Para a AXA no Brasil, porém, o ambiente de trabalho pode desempenhar um papel importante na rede de apoio às vítimas. A seguradora decidiu ampliar o alcance do AXA Safe Spaces, treinamento global que ensina gestores e colegas de trabalho a reconhecer sinais de violência e orientar o encaminhamento para ajuda.
Em entrevista ao SulSeguro, Alexandre Campos, Vice-Presidente de RH, Jurídico, Compliance e ASG da AXA no Brasil, afirma que tratar o assunto como uma questão exclusivamente privada pode aprofundar o isolamento de quem sofre violência.
“Em várias situações, o trabalho é o único espaço fora de casa onde a vítima consegue respirar, pedir ajuda ou ser percebida. Quando uma empresa trata isso como ‘assunto pessoal’, acaba reforçando o isolamento, que é um dos mecanismos mais comuns da violência”, afirma.
Segundo ele, o papel das organizações não é substituir especialistas, mas criar condições para que o pedido de ajuda aconteça.
“Nosso ponto é simples: acolher não é fazer papel de especialista, é criar um ambiente seguro para escuta e orientar o caminho correto de apoio”, completa.
Treinamento prático para situações sensíveis
O AXA Safe Spaces foi desenvolvido globalmente em parceria com a NO MORE Foundation e especialistas no tema. O programa é digital e ensina, de forma prática, como agir diante de possíveis situações de violência.
A metodologia se baseia em três etapas: reconhecer os sinais, responder com empatia e encaminhar para apoio especializado. De acordo com Campos, o primeiro passo costuma ser o mais difícil dentro das organizações.
“Em geral, o reconhecer é o mais desafiador, porque muita gente associa violência a algo visível. Mas ela também pode ser psicológica, financeira ou baseada em controle coercitivo”, explica.
Ele destaca que mudanças de comportamento no ambiente profissional podem ser indícios importantes. “Isolamento, medo constante ou queda abrupta de rendimento podem ser sinais. Quando a organização aprende a reconhecer, ela consegue responder melhor e encaminhar para quem tem competência técnica de apoiar”, afirma.
Difusão para o mercado
A decisão de disponibilizar o treinamento gratuitamente para o público externo também faz parte da estratégia da companhia de ampliar o impacto da iniciativa.
“Impacto social exige escala. Se mantivéssemos essa ferramenta apenas dentro da empresa, estaríamos limitando algo que pode reduzir danos e apoiar pessoas em qualquer organização”, diz Campos. Para o executivo, a iniciativa também reflete uma visão mais ampla sobre o papel do setor de seguros.
“Queremos ampliar o significado do que é proteger. Seguro não é só reparar depois do dano, mas também reduzir riscos, fortalecer redes e criar condições para que as pessoas tenham segurança para agir antes da situação virar uma crise”, afirma.
Proteção também nos produtos
Esse olhar também se reflete no desenvolvimento de soluções voltadas às seguradas. Um exemplo é a Assistência Maria, serviço que integra alguns seguros da companhia e oferece suporte jurídico e emocional para mulheres em situação de violência.
Segundo Campos, a iniciativa nasceu da percepção de que o problema envolve múltiplas dimensões. “A violência contra a mulher não gera somente risco físico imediato. Ela traz impactos emocionais e jurídicos que muitas vezes impedem a pessoa de tomar decisões rápidas e seguras”, afirma.
A proposta do serviço é oferecer orientação e acesso a redes de apoio quando a vítima precisa agir com rapidez e discrição.
“O setor de seguros tem experiência em gestão de risco, prevenção e construção de redes de suporte. Quando aplicamos isso a temas sociais, conseguimos gerar soluções concretas que combinam informação, acesso e encaminhamento”, conclui.
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