23 de abril de 2026
Por Alper Seguros
A missão Artemis II, que marcou o retorno tripulado à órbita lunar após mais de 50 anos, não foi apenas um marco tecnológico, mas um desafio sem precedentes para o mercado de riscos. Entre o lançamento e o retorno à Terra, concluído em 11 de abril, a operação evidenciou o papel vital do seguro na proteção de bilhões de dólares em investimentos e na segurança de vidas humanas.
Diferente de apólices tradicionais, o seguro espacial é uma estrutura dinâmica. Segundo Fábio Ursaia, SVP de Riscos Corporativos e Resseguros da Alper Seguros, o risco evolui conforme a cápsula Orion avança no espaço.
“A Artemis II deve ser entendida como uma sequência de riscos que se transformam. Não é uma exposição contínua, mas diferentes naturezas de risco — da fabricação ao lançamento, onde o potencial de perda total é imediato, até a performance da missão em órbita”, explica Ursaia.
As camadas de proteção no espaço
A engenharia financeira por trás de uma missão desse porte divide-se em dois grandes blocos:
Hardware: Cobertura de danos físicos ao foguete, cápsula e componentes durante construção, testes e transporte.
Responsabilidade Civil: Proteção contra prejuízos causados a terceiros durante todas as fases, incluindo a reentrada na atmosfera.
Para Ursaia, o diferencial deste setor é a cobertura de falha de missão. “No setor espacial, a análise vai além do dano físico. O risco central está na capacidade de a missão cumprir seu objetivo. Por isso, a cobertura de performance assume um papel fundamental”, destaca o executivo da Alper.
Desafios de um mercado bilionário
A precificação desses riscos ainda é um dos maiores desafios globais devido à escassez de dados históricos. Cada missão é singular, exigindo que o mercado de resseguros atue em uma “torre de capacidade”, onde diversos players mundiais dividem a exposição.
“O setor exige uma abordagem baseada em engenharia e análise técnica profunda. O mercado global é concentrado; um único evento pode consumir boa parte do capital disponível, o que torna essencial a distribuição do risco entre múltiplos participantes”, afirma Ursaia.
Com o sucesso da Artemis II e a perspectiva de voos comerciais frequentes, a tendência é que novos riscos — como detritos orbitais e ameaças cibernéticas — passem a ser melhor modelados. Para a Alper Seguros, o mercado evoluirá conforme esses eventos se tornem mais repetíveis, consolidando o seguro como a base necessária para a jornada humana além da órbita terrestre.
VEJA TAMBÉM
A Copa do Mundo FIFA 2026 está sendo tratada como um grande “laboratório” de gestão de risco
Um novo golpe tem feito brasileiros que vivem na Carolina do Sul, nos Estados Unidos, vítimas
Presidente dos EUA prometia escoltar a navios que quisessem atravessar percurso com 'segurança'





