14 de maio de 2026
Por 🏆 Julia Schneider
A contratação de seguros dentro do setor de entretenimento começa a ganhar um novo formato no Brasil. Impulsionado pela digitalização da jornada de compra e pelo crescimento da economia criativa, o mercado passa a enxergar oportunidades em soluções integradas à experiência de eventos, desde a proteção para produtores e artistas até coberturas ofertadas diretamente ao público no momento da compra do ingresso.
É neste cenário que atua a Safest, empresa especializada em distribuição e inovação em seguros para entretenimento, eventos e economia criativa. A proposta da insurtech é conectar seguradoras, plataformas digitais, empresas e profissionais do setor em um modelo mais fluido, digital e alinhado às particularidades desse ecossistema.
Segundo Eduardo Almeida, sócio-fundador da Safest, a ideia surgiu da percepção de que o mercado tradicional ainda tinha dificuldade para atender as demandas específicas da cadeia de eventos.
“Na prática, significa trazer uma nova forma de pensar o seguro dentro do entretenimento. A inovação da Safest está na tecnologia e modelos de distribuição, inteligência artificial, na experiência, mas também muito na forma de apresentar o produto”, afirma.
O executivo destaca que um dos focos da empresa está justamente em simplificar a comunicação do seguro para um público pouco acostumado com produtos tradicionais do setor.
“Empacotamos diferente, com linguagem direta, sem ‘segurês’, mais próxima da realidade de produtores, artistas e do público. A proposta é tornar a contratação mais acessível e intuitiva”, explica.
Seguro além da burocracia
Apesar do avanço do mercado de eventos no Brasil, a percepção sobre seguros ainda costuma estar associada a processos burocráticos ou custos adicionais dentro da operação. Para Almeida, existe um espaço importante de conscientização.
“Existe uma oportunidade clara de ampliar o entendimento sobre o seguro. Muitas vezes ele ainda é visto como complexo ou caro, quando representa uma pequena parte do orçamento de um evento. Com mais clareza, passa a ser uma decisão lógica dentro do planejamento”, afirma.
A atuação da Safest busca contemplar diferentes perfis dentro do ecossistema de entretenimento, cada um com necessidades distintas de proteção.
“Produtores e organizadores buscam proteger a operação: estrutura, equipe e responsabilidades. É uma decisão mais planejada. Artistas, especialmente na música, ainda estão descobrindo esse tipo de solução, por isso a importância de produtos adaptados a diferentes níveis de carreira”, observa.
Já no caso do consumidor final, a lógica é diferente: a contratação acontece de forma mais imediata e integrada à experiência digital.
“O público decide no momento da compra, com opções como reembolso de ingresso ou proteção para celular”, acrescenta.
Embedded insurance ganha espaço
Um dos principais movimentos observados pela insurtech é o avanço do chamado embedded insurance — modelo em que o seguro é incorporado diretamente à jornada de compra do consumidor. Na prática, isso significa que o usuário pode contratar a proteção sem sair da plataforma de venda de ingressos ou do ambiente digital do evento.
Para Almeida, esse movimento tende a transformar a relação do consumidor com o seguro.
“A distribuição embutida acontece dentro do e-commerce, com contratação direta pelo cliente, sem corretor na ponta. A Safest viabiliza essa experiência com tecnologia e estrutura, tornando o processo mais fluido e integrado”, afirma.
Segundo ele, além de simplificar a contratação, o modelo também cria novas possibilidades de receita para empresas do setor de eventos e plataformas digitais.
“Quando há potencial de receita aliado à entrega de valor real, esse movimento ganha força — e, para o consumidor, tudo simplesmente flui”, destaca.
Apesar do potencial, o executivo avalia que a expansão desse tipo de integração ainda depende de evolução tecnológica e de priorização estratégica por parte das empresas.
“Muitas plataformas já operam com estruturas sólidas, mas ainda estão evoluindo para incorporar novos serviços de forma fluida na experiência do usuário. A adoção passa mais por priorização interna do que por falta de demanda”, pontua.
O seguro invisível
Para os próximos anos, a expectativa da Safest é que o seguro se torne cada vez mais integrado à experiência digital dos eventos, deixando de ocupar um espaço separado na jornada do consumidor. “A tendência é que ele esteja cada vez mais integrado à jornada. Passa a aparecer no momento certo, de forma contextual, sem exigir esforço do usuário”, afirma Almeida.
Na visão do executivo, o seguro não perde relevância nesse processo, apenas muda sua forma de presença dentro da experiência de compra. “Não perde importância — apenas deixa de ser um passo separado”, conclui.
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