15 de maio de 2026
Por 🏆 Julia Schneider
Rafael Rodrigues, General Manager Latam do InsureMO
A transformação digital do mercado de seguros já não pode mais ser resumida à modernização de sistemas ou criação de interfaces mais amigáveis. Para Rafael Rodrigues, General Manager Latam do InsureMO, a verdadeira mudança do setor está na revisão da lógica operacional das seguradoras.
Em entrevista ao SulSeguro, o executivo afirma que muitas empresas ainda confundem digitalização com inovação estrutural.
“A digitalização foi uma etapa importante, mas ela não representa, sozinha, uma transformação estrutural. Muitas vezes, digitalizar significa apenas colocar uma interface moderna sobre uma lógica de negócio antiga”, afirma.
Segundo Rodrigues, o seguro está deixando de funcionar como um produto isolado dentro das seguradoras para se tornar uma infraestrutura conectável, integrada a bancos, varejistas, fintechs, plataformas digitais e diferentes ecossistemas.
Na visão do executivo, substituir sistemas legados por novas plataformas também não resolve, necessariamente, os desafios do mercado. “Em muitos casos, a seguradora apenas troca um monolito antigo por um monolito novo”, pontua.
Para ele, o caminho mais eficiente é criar uma camada moderna de middle office, baseada em APIs e microsserviços, capaz de conectar operação, produtos, parceiros e novas tecnologias sem depender da substituição completa do core.
Embedded insurance muda distribuição e papel do corretor
Entre os movimentos que mais aceleram essa mudança está o embedded insurance, modelo em que o seguro passa a ser integrado a jornadas de consumo e serviços digitais.
“No embedded insurance, o cliente não necessariamente entra em uma jornada pensando em comprar seguro. O seguro aparece no momento certo, dentro de uma experiência que já está acontecendo”, explica Rodrigues.
Segundo ele, isso altera o papel das seguradoras, que passam a atuar como provedoras de capacidades de seguro em tempo real, com processos modulares e conectáveis.
O movimento também impacta diretamente os corretores. Na avaliação do executivo, profissionais focados apenas na intermediação transacional tendem a perder espaço, enquanto cresce a demanda por atuação consultiva e estratégica.
“O corretor deixa de ser apenas um canal de venda e pode se tornar um arquiteto de soluções de proteção”, destaca.
Para Rodrigues, o profissional precisará desenvolver maior visão de negócio, domínio de dados e entendimento das jornadas digitais. “A tecnologia não elimina o corretor relevante. Ela elimina o corretor que não agrega além da transação”, resume.
IA exige arquitetura preparada
Outro ponto destacado pelo executivo é o avanço da inteligência artificial no setor. Apesar do crescimento do tema, ele acredita que muitas seguradoras ainda não possuem estrutura preparada para extrair valor real da tecnologia.
“O principal obstáculo não é a inteligência artificial, mas a arquitetura que existe por baixo dela”, afirma.
Segundo Rodrigues, APIs mal documentadas, processos fragmentados e dependência de conhecimento informal ainda limitam o uso prático da IA nas operações seguradoras.
“Sem arquitetura adequada, a IA aumenta a frustração. Com arquitetura adequada, ela acelera execução, reduz ciclos e cria novas formas de operar seguro”, conclui.
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