21 de maio de 2026
Por 🏆 Arthur Moraes
Durante décadas, o mercado de seguros acostumou-se a formar executivos técnicos. Gente boa de planilha, compliance e reunião interminável com PowerPoint de 74 páginas. Mas Ana Carolina Mello parece ter vindo de outro lugar. Talvez tenha vindo mesmo: das quadras.
Antes de circular por gigantes como Chubb, RSA, Argo, MAPFRE, Berkley e AXA, ela foi atleta profissional de vôlei. E talvez seja exatamente aí que sua trajetória comece a fazer sentido.
“Enquanto muita gente começava a vida profissional de forma mais tradicional, eu conciliava treinos intensos, estudos e outras atividades desde adolescente”, conta.
Hoje, aos 57 anos, paulista, Diretora de Insurance e Riscos da Europ Assistance Brasil desde fevereiro de 2026, Ana fala sobre seguros com a mesma naturalidade de quem conversa sobre família, esporte ou cachorro. E talvez isso explique muito sobre ela.
Porque, no fundo, sua visão de mercado nunca foi apenas sobre apólice. Foi sobre gente.
“Trabalhamos essencialmente com proteção, confiança e cuidado. O desafio é construir operações cada vez mais inteligentes sem perder proximidade, empatia e capacidade consultiva”, diz.
E ela fala isso sem aquele tom robótico corporativo que parece ter contaminado metade do LinkedIn.
Ao longo de 30 anos de mercado, Ana viu praticamente todas as transformações possíveis do setor. Viveu operações internacionais, passou por diferentes linhas de negócio, transitou entre seguradoras, resseguro, consultoria, inovação e até empreendedorismo. Criou negócios, participou de empresas de tecnologia e acompanhou o mercado migrar do fax para a inteligência artificial.
Mas faz questão de lembrar que transformação digital não acontece só porque alguém comprou uma ferramenta cara.
“A digitalização verdadeira depende de processos sólidos, dados de qualidade e, principalmente, pessoas preparadas para conduzir essa mudança.”
Talvez seja por isso que ela incomode um pouco aquela lógica antiga do executivo inacessível. Ana parece confortável demais em misturar estratégia com humanidade. Resultado com sensibilidade. Tecnologia com afeto.
E curiosamente, isso não a deixa menos firme. “A liderança humanizada não significa ausência de resultado. Significa construir ambientes mais engajados, sustentáveis e inteligentes.”
Ela fala sobre o crescimento feminino no setor com entusiasmo, mas sem romantizar.
Reconhece avanços, vê mais mulheres em posições estratégicas, mas entende que ainda existe um longo caminho nas áreas mais técnicas e nos espaços de alta liderança.
“Fico feliz em perceber que as novas gerações já entram no mercado enxergando mais possibilidades de protagonismo feminino do que existiam quando comecei.”
Quando o assunto sai do crachá e entra na vida, a conversa ganha outro ritmo.
Ana é mãe de Ana Luiza, publicitária da área de planejamento em uma grande agência, e Ana Julia, futura médica veterinária focada em genética e reprodução de grandes animais.
E também é mãe, e avó, de pets. Clotilde, Jaqueline, Penélope, Eugênio e Inácio completam a família.
Em algum momento da entrevista, fica difícil entender onde termina a executiva e começa a mãe. Talvez porque as duas coexistam o tempo inteiro. “Aprendi que equilíbrio perfeito não existe. Existe equilíbrio possível.”
É uma frase simples, mas talvez explique boa parte da vida corporativa moderna melhor do que qualquer palestra motivacional de hotel cinco estrelas.
Ana também gosta de falar sobre mudança. Sobre não se apegar demais às versões antigas de si mesma.
“Evoluir não é apagar o passado, é saber quando ele deixa de sustentar o futuro.”
Ela diz isso como quem já precisou recomeçar algumas vezes. E provavelmente precisou mesmo.
Na Europ Assistance Brasil, 2026 tem gosto de marco histórico: a companhia completa 30 anos no Brasil. Entre os planos da operação estão modernização tecnológica, melhoria nos serviços, redução de prazos de pagamento de sinistros e expansão da rede de prestadores.
Mas, de novo, Ana volta ao mesmo ponto.
“No final, é sobre viver o que falamos: ‘you live, we care’.”
No mercado de seguros, onde muita gente ainda fala difícil para parecer importante, talvez o diferencial dela seja justamente o contrário.
Ana Carolina Mello parece ter entendido algo raro: proteção não é só produto. É presença.
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