27 de maio de 2026
Por 🏆 Arthur Moraes
Marcelo Biasoli, CEO da 123Seguro
Durante décadas, o mercado de seguros operou quase como um território paralelo dentro da jornada de consumo. Primeiro vinha a compra. Depois, em algum outro momento, aparecia o seguro, normalmente carregado de formulários, etapas extras e uma sensação de interrupção na experiência. A 123Seguro acredita que esse modelo está ficando para trás.
Sem disputar espaço pelo formato tradicional de distribuição, a empresa vem construindo uma operação baseada em APIs, ecossistemas digitais e embedded insurance, um conceito que, aos poucos, está mudando a forma como o seguro passa a existir dentro da rotina das pessoas.
“O consumidor não quer mais sair da jornada principal para contratar um serviço complementar em outro ambiente”, afirma Marcelo Biasoli, CEO da empresa. “Quando a proteção se integra ao contexto da experiência digital, a relação com o produto muda completamente.”
Na prática, isso significa fazer o seguro quase desaparecer dentro da experiência. Ou pelo menos desaparecer como interrupção.
A lógica é simples: se as pessoas já passam boa parte da vida em marketplaces, fintechs, aplicativos e plataformas digitais, faz mais sentido que a proteção aconteça dentro desses ambientes, e não fora deles.
Foi exatamente esse movimento que impulsionou a transformação da 123Seguro nos últimos anos.
A empresa deixou de operar em um modelo mais linear para construir uma estrutura baseada em tecnologia, distribuição integrada e canais digitais de alta recorrência. Ao investir em infraestrutura própria, arquitetura modular e integração via APIs, conseguiu ampliar escala sem depender exclusivamente dos formatos tradicionais do setor.
Hoje, a companhia conecta seguradoras a parceiros como varejistas, marketplaces, fintechs e plataformas digitais, criando jornadas em que o seguro aparece de forma contextualizada, quase orgânica.
É o caso da parceria com plataformas como a Shopee e a Meu Pet Club, onde produtos de assistência passam a fazer parte da experiência digital do usuário sem exigir uma ruptura no fluxo de navegação.
Mais do que vender seguros, a empresa quer reduzir atrito. “A principal diferença do nosso modelo está justamente na contextualização da oferta. O seguro deixa de ser uma jornada separada para fazer parte do ambiente onde a decisão já acontece”, explica Biasoli.
Esse movimento ajuda a explicar por que o embedded insurance se tornou uma das palavras mais repetidas dentro da nova economia dos seguros, e também uma das mais estratégicas.
Num país onde milhões de pessoas ainda enxergam o seguro como algo distante, burocrático ou inacessível, integrar proteção ao cotidiano talvez seja menos uma tendência e mais uma necessidade de sobrevivência do setor.
Biasoli acredita que o principal desafio do mercado hoje não é apenas produto, mas percepção.
“Muitas pessoas ainda enxergam o seguro como algo complexo. Democratizar acesso passa por simplificar jornadas e aproximar a proteção dos ambientes digitais que as pessoas já utilizam.”
Por trás dessa transformação, existe um componente silencioso que se tornou peça central na disputa do mercado: dados. Na visão da 123Seguro, tecnologia deixou de ser suporte operacional para virar infraestrutura estratégica de distribuição.
APIs, inteligência de dados e arquitetura modular passaram a definir velocidade de integração, personalização de jornadas e capacidade de escalar operações digitais sem perder aderência ao comportamento do consumidor.
Ao mesmo tempo, a empresa evita comprar o discurso de que a digitalização elimina relacionamento humano dentro do setor.
“O mercado tende a ficar cada vez mais híbrido, combinando tecnologia, canais digitais e atuação consultiva de parceiros especializados.”
A fala ajuda a entender um ponto importante da nova economia dos seguros: o digital não substitui confiança. Ele muda a forma como ela é construída.
Para 2026, a 123Seguro pretende ampliar sua presença dentro de ecossistemas financeiros, varejo e plataformas digitais, além de acelerar o uso de inteligência artificial e personalização baseada em dados.
No fundo, a aposta da empresa parece seguir uma lógica simples, mas poderosa. O futuro do seguro talvez não esteja em fazer as pessoas procurarem proteção.
Talvez esteja em fazer a proteção encontrar as pessoas exatamente no momento em que elas mais precisam dela.
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