O homem que descobriu que proteger vai muito além de contratos

Fernando Zingano lidera a Cabergs com um olhar que une estratégia, cuidado e uma fé quase teimosa nas pessoas



Conteúdo Exclusivo
8 de junho de 2026

Por 🏆 Arthur Moraes
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Fernando Zingano nasceu em 1970, no ano em que o Brasil conquistava o tricampeonato mundial. Talvez venha dali a calma de quem aprendeu cedo que jogo grande se vence com paciência, estratégia e um pouco de confiança no improvável. Aos 18 anos, enquanto ainda cursava Administração na UFRGS, prestou concurso para o Banrisul e entrou no banco sem imaginar que, décadas depois, estaria comandando uma das instituições mais tradicionais da saúde e dos seguros no Rio Grande do Sul.

Mas antes da presidência, vieram os balcões, os relatórios, as cobranças, as agências, os empréstimos e as infinitas reuniões que moldam qualquer executivo brasileiro. Fernando foi escriturário, gerente, analista, superintendente e executivo. Passou por crédito, cobrança, infraestrutura, negócios internacionais e financiamentos do BNDES. Estudou gestão financeira, gestão internacional e, mais recentemente, gestão em saúde pela USP.

Hoje, costuma brincar que se sente “meio profissional da saúde, meio profissional dos seguros”, como quem já entendeu que, no fundo, as duas áreas trabalham pela mesma coisa: tranquilidade.

Diferente de muitos executivos que falam sobre produtividade como se fossem máquinas de café expresso, Fernando fala sobre proteção quase como alguém falando da própria família. E talvez não seja coincidência.

Ele se define como “bem família”, apesar da rotina intensa de viagens, conselhos e eventos. Diz que gosta mesmo é de estar em casa, cercado pelos seus. E aprendeu a transformar a tecnologia numa espécie de ponte afetiva portátil: participa de aniversários por vídeo, acompanha celebrações à distância e garante que, mesmo longe, nunca deixa a família sentir sua ausência.

Na Cabergs, ele teve duas passagens. A primeira entre 2010 e 2011. Depois voltou ao Banrisul, até retornar em 2015 para assumir a liderança da operação. Agora, em maio de 2026, completa 11 anos consecutivos nessa segunda etapa. Tempo suficiente para entender que gerir saúde e seguros exige muito mais do que planilhas bonitas em PowerPoint. Exige sensibilidade para lidar com pessoas em momentos delicados da vida.

E talvez a história que ele mais goste de contar explique exatamente isso.

Quando ainda era gerente de agência, atendeu uma pessoa desesperada, endividada, tentando conseguir um empréstimo para resolver um problema familiar grave. A análise foi negativa. Não havia como liberar o crédito. Mas praticamente no mesmo instante em que veio a notícia ruim, surgiu outra completamente improvável: o cliente havia sido contemplado num plano de capitalização. O prêmio era dez vezes maior do que o valor que ele buscava no empréstimo.

Fernando lembra da história sem transformar aquilo num discurso comercial. Pelo contrário. O que marcou foi perceber como uma decisão simples do passado, aderir a um produto financeiro quase sem expectativa, acabou mudando completamente a vida de alguém no momento mais difícil. “Aquilo me mostrou o valor de uma venda bem-feita e consciente”, resume.

No mercado de seguros, ele acredita que o crescimento pertence a quem aparece, participa, provoca movimento e leva informação. Talvez por isso tenha uma visão tão ativa sobre liderança. Para ele, um líder não existe apenas para cobrar metas, mas para fazer as pessoas crescerem, gostarem do que fazem e colherem juntas os resultados. Fernando fala sobre reconhecimento financeiro com a mesma naturalidade que fala sobre elogio e valorização humana — uma combinação rara num mundo corporativo que, às vezes, esquece que gente também precisa ser vista.

Quando perguntam que conselho daria ao jovem que entrou no Banrisul aos 18 anos, ele responde rápido, sem frases prontas de LinkedIn: “Procure gostar daquilo que faz, ou faça aquilo que gosta.” Porque, segundo ele, satisfação verdadeira vale mais do que dinheiro, cargo ou networking.

Talvez seja por isso que Fernando Zingano passe a impressão de alguém que ainda consegue se emocionar com o próprio mercado. Num setor acostumado a falar de números, índices e crescimento, ele prefere falar sobre pessoas mais tranquilas, famílias protegidas e oportunidades que aparecem quando ninguém espera.

Afinal, como ele mesmo gosta de lembrar: “A vida abre muito mais portas do que fecha.”




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