O homem que transformou sete “nãos” em uma seguradora

Pedro Pires acredita que seguro bom é aquele que protege pessoas antes de proteger números



Conteúdo Exclusivo
23 de junho de 2026

Por 🏆 Arthur Moraes
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Antes de falar sobre inovação, sandbox regulatório ou inclusão securitária, Pedro Pires era office-boy numa pequena cidade do interior paulista chamada Casa Branca. E talvez seja importante começar justamente por aí. Porque, diferente de muitos executivos moldados em ambientes corporativos desde cedo, Pedro construiu sua trajetória passando por trabalhos simples, rotina pesada e experiências que ensinaram mais sobre pessoas do que sobre negócios.

Trabalhou em hospital filantrópico, gerenciou uma loja de conveniência dentro de um posto de combustível e depois encontrou no Itaú Unibanco aquilo que costuma chamar de “uma grande escola”.

Foi no banco que ele passou a entender o tamanho do mercado financeiro, a dimensão das operações internacionais e como economia, crédito, risco e comportamento humano se conectam muito além das planilhas. Vieram mudanças de cidade, viagens pelo interior de São Paulo e sul de Minas, novas responsabilidades e, principalmente, a percepção de que talvez ele não quisesse apenas trabalhar dentro de um sistema pronto. Queria construir algo próprio.

Hoje, aos 41 anos, vivendo em Uberlândia há mais de uma década, Pedro é sócio-fundador do Grupo Gomes Pires e idealizador do movimento Seguro para Todos. Mas a história da Split Risk Seguradora, empresa que ajudou a colocar de pé, começa quase como uma provocação ao próprio mercado segurador.

Tudo nasceu depois de sete negativas recebidas de seguradoras tradicionais quando apresentou um modelo simplificado de proteção voltado para um público que normalmente não conseguia acessar os seguros convencionais.

“Recebi sete ‘nãos’ da indústria tradicional”, relembra Pedro. O curioso é que os “nãos” acabaram virando combustível.

Sem encontrar espaço, Pedro resolveu criar a própria oportunidade. Montou uma associação de proteção veicular, validou sua tese na prática e, alguns anos depois, aproveitou a abertura do Sandbox da SUSEP para estruturar um modelo inovador que mais tarde se transformaria na Split Risk.

No meio disso tudo, criou uma empresa chamada Seven, nome escolhido justamente em referência às sete negativas que ouviu no começo da trajetória.

Hoje, ele conta rindo que algumas dessas mesmas empresas que recusaram o projeto lá atrás passaram a procurar a companhia para benchmarking e possíveis parcerias.

Mas talvez o que mais chame atenção em Pedro Pires seja a forma como ele fala sobre seguros.

Não existe aquele discurso excessivamente técnico ou frio tão comum no mercado. Ele fala de proteção quase como quem fala de cuidado.

“O seguro precisa trazer carinho, zelo e tranquilidade”, diz ele.

Para ele, o impacto do setor vai muito além da indenização financeira. Está na capacidade de fazer uma pessoa dormir mais tranquila, seguir trabalhando sem medo de perder tudo ou simplesmente sentir que existe algum amparo diante das incertezas da vida.

Pedro acredita que o seguro deveria ser cada vez menos elitizado e mais acessível, chegando em públicos historicamente esquecidos pelo mercado tradicional. Talvez por isso o movimento Seguro para Todos tenha ganhado tanta força dentro da sua visão de negócio.

Ao mesmo tempo em que fala sobre expansão, inovação e crescimento, Pedro também faz questão de colocar a família no centro da própria história.

Casado há 23 anos com Fabiana Gomes, “o grande amor da minha vida”, como define, ele construiu uma relação tão forte que o sobrenome do grupo empresarial nasceu justamente da união dos sobrenomes dos dois: Gomes e Pires.

Pai de Maria Júlia e João Pedro, ele também carrega a memória de Tomás, filho gêmeo de João, que faleceu em 2022 após 48 dias de vida.

O assunto aparece de forma delicada na conversa, mas ajuda a entender muito sobre sua maneira de enxergar o tempo, prioridades e propósito.

Hoje, parte da rotina profissional acontece dentro de casa, permitindo que ele acompanhe mais de perto a vida dos filhos enquanto administra uma agenda intensa de trabalho.

“Existe tempo pra tudo”, afirma, ao refletir sobre ansiedade, amadurecimento e equilíbrio.

Talvez um dos momentos mais interessantes da conversa seja quando Pedro diz qual conselho daria para si mesmo no começo da carreira.

A resposta mistura pragmatismo, maturidade e uma certa filosofia de vida construída na prática:

“É preciso saber com quem você vai casar, onde vai morar e em qual área vai empregar sua energia profissional.”

A frase parece simples, mas carrega uma visão muito clara sobre construção de vida e propósito.

Ele também admite que gostaria de ter sido menos ansioso, menos afoito e mais paciente com o próprio tempo. “Nem tudo precisa acontecer tão rápido”, resume.

Na Split Risk, 2026 é visto como um ano decisivo. A expectativa da licença definitiva abre espaço para expansão em novos ramos, incluindo seguro de vida, residencial, transporte e proteção de utensílios de trabalho. O objetivo é consolidar a empresa como uma das maiores plataformas de seguro recorrente do país.

Pedro fala sobre isso com entusiasmo de quem ainda parece movido pela mesma inquietação que o fez começar tudo lá atrás.

Mas, curiosamente, quanto mais fala sobre crescimento, tecnologia e novos projetos, mais volta ao mesmo ponto: Pessoas.

“A solução de grandes desafios talvez esteja dentro das nossas próprias casas”, diz.

Pode soar otimista demais para alguns. Mas olhando sua trajetória, talvez tenha sido exatamente esse tipo de pensamento que transformou sete “nãos” em uma empresa capaz de mexer com um mercado inteiro.

 




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