Coluna: Marketing, comunicação e marca
Colunista: Arthur Moraes
Entrei no mercado de seguros, em 2015, para trabalhar numa startup que tinha um objetivo claro: inovar. Criamos um serviço essencial, vendido por corretores, mas fora da apólice tradicional, um “puxadinho estratégico” da proteção. Convencer o mercado de que aquele trabalho extra gerava resultado exigiu comunicação forte, presença de marca e paciência. Mas funcionou. Em pouco tempo, deixamos de ser curiosidade e viramos player.
Naquela época, o mercado já ensaiava suas próprias revoluções. A Youse aparecia com roxo e laranja, falando a língua da internet e vendendo seguro direto pelo aplicativo, inovação na veia.
Logo depois, outra palavra entrou na pauta: insurtech. Moderna, importada, quase futurista. A partir de 2016, essas startups começaram a brotar com força. Diante desse movimento, em 2020, a SUSEP lançou o Sandbox Regulatório e abriu a porta para experimentar sem medo. Cinco anos depois, já são mais de 200 insurtechs no Brasil e centenas de milhões em aportes. Não era só discurso; era capital, tecnologia e ambição.
Enquanto isso, outro movimento ganhava corpo: as associações de proteção veicular. Cresceram na base da necessidade e da controvérsia. Em 2024, veio o marco legal das associações mutualistas. O que era zona cinzenta virou regra escrita. O mercado não estava parado. Estava se reorganizando.
E então eu me pergunto: como inovar num mercado que já está inovando todos os dias?
Talvez a inovação não esteja apenas no aplicativo novo, na rodada milionária ou na lei publicada no Diário Oficial. Talvez esteja na forma como olhamos para tudo isso. Na maneira como contamos essas histórias. No cuidado de entender quem está por trás das transformações.
Eu acredito que tudo na vida parte do jeito como olhamos para ela. Da importância que damos às coisas. Dos critérios que escolhemos para definir o que é relevante. Do peso que cada pessoa e cada movimento têm na nossa trajetória. O mercado de seguros não é feito apenas de números, leis ou plataformas digitais. Ele é feito de gente. E gente precisa ser compreendida antes de ser analisada.
Tem muita coisa acontecendo longe dos grandes holofotes. Em cidades pequenas que movem o setor com criatividade, coragem e sotaque próprio. Há corretor fazendo revolução silenciosa em Ibiraiaras, no Rio Grande do Sul. Maringá, no Paraná, abriga a sede brasileira de uma seguradora argentina. Blumenau, em Santa Catarina, virou, sem alarde, a capital catarinense do seguro. Curitiba respira inovação, e o Paraná inteiro pulsa cases que ainda não são compartilhados.
Inovar também é isso: mudar o ângulo. Aproximar. Escutar melhor. Contar o que está acontecendo enquanto ainda está acontecendo. Às vezes, o que falta é um olhar próximo, local, humano. Ou melhor: faltava.
Arthur é jornalista, pós-graduado em Branding, Marketing e Experiência Digital, com formação também em Produção Audiovisual pela Academia Internacional de Cinema.
Ele acredita no poder transformador da comunicação. E através da inovação e de estratégias modernas de marketing, baseadas em propósitos humano e verdadeiro, ajudou a criar e manter marcas fortes do mercado de seguros.
Email: arthur@sulseguro.com





