A cada 8 roubos de carros em Porto Alegre, um é mentira do dono para fraudar seguro

Levantamento mostrou que, em 2025, 12,2% das comunicações de roubo de veículos na Capital eram falsas ocorrências



20 de fevereiro de 2026

Por G1 RS
a-cada-8-roubos-de-carros-em-porto-alegre-um-e-mentira-do-dono-para-fraudar-seguro Trânsito em Porto Alegre — Foto: Reprodução/ RBS TV

O que antes parecia ser apenas mais um registro de roubo de veículo tem revelado um enredo diferente nas delegacias de Porto Alegre. A polícia tem se deparado com histórias encenadas por motoristas que tentam transformar problemas com seus próprios carros em indenizações de seguro.

Um levantamento da Polícia Civil mostrou que, em 2025, 12,2% das comunicações de roubo de veículos em Porto Alegre eram, na verdade, falsas ocorrências. O índice está acima do padrão nacional, que varia entre 2% e 3%.

O aumento na identificação de golpes, conforme a investigação, tem relação com o uso de tecnologias de rastreamento e com o entendimento cada vez maior sobre como essas quadrilhas atuam.

Como funciona o golpe

De acordo com a polícia, os próprios proprietários dos carros procuram grupos especializados em fazer "sumir" veículos com problemas mecânicos, desvalorizados ou que já não os satisfazem. Depois, registram ocorrência afirmando que foram vítimas de assalto e tentam acionar o seguro.

Em muitos casos durante a investigação, o comportamento dos envolvidos, o histórico do veículo e, principalmente, ferramentas eletrônicas revelam que o suposto crime nunca aconteceu.

A Polícia Civil explica que comunicar falsamente um roubo configura estelionato e pode causar uma série de consequências ao autor do golpe:

"A pessoa vai ficar sem o veículo, vai ficar sem o prêmio do seguro, possivelmente vai ser presa em flagrante e ainda vai responder a um processo judicial", diz a delegada Jeiselaure de Souza.

Conversas, deslocamentos e contradições

Em 2025, 66 pessoas foram presas em Porto Alegre após registrarem falsos roubos. Em parte desses casos, detalhes simples, como conversas, deslocamentos e contradições, chamaram atenção dos investigadores.

Um dos episódios envolve um casal de Pelotas. A mulher viajou até a capital para registrar o suposto roubo, orientada pelo companheiro a “chegar chorando” e afirmar que não era da cidade. A farsa, porém, durou pouco: o sistema de cercamento eletrônico mostrou que o veículo havia deixado Porto Alegre mais de uma semana antes e estava em Santa Catarina.

O avanço no uso de cercamento eletrônico e outras ferramentas de monitoramento tem sido decisivo para desmontar as tentativas de fraude. Com acesso rápido ao histórico de deslocamento dos veículos, a polícia consegue confrontar versões e identificar inconsistências quase imediatamente.




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