22 de abril de 2026
Por 🏆Julia Schneider
Crédito Foto: Fernanda Bassôa/Correio do Povo
O acidente em um parque de diversões em Guaíba (RS), que deixou onze pessoas feridas após a queda de um brinquedo no último domingo (19), evidencia uma discussão que vai além da falha mecânica: quais seguros, de fato, são imprescindíveis em operações com alto risco ao público — e até onde essa proteção funciona.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a queda ocorreu após a quebra de uma estrutura conhecida como “Torre”. De acordo com a Polícia Civil, as vítimas caíram de cerca de dois metros de altura. Entre os feridos estavam crianças e adolescentes. Todos receberam atendimento médico e tiveram alta até a segunda-feira (20).
Sob a perspectiva do seguro, o corretor de seguros Jonas Fischborn, consultor na Servare Seguros, a base de proteção para qualquer operação desse tipo é o seguro de responsabilidade civil, voltado a danos causados a terceiros durante a atividade. É ele que sustenta financeiramente situações envolvendo vítimas, cobrindo desde despesas médicas até indenizações por lesões e danos morais.
Mas essa não é a única camada necessária. De acordo com o especialista, uma estrutura minimamente protegida costuma envolver um conjunto de coberturas que atuam de forma complementar:
- Responsabilidade Civil (RC Operações): considerada indispensável, cobre danos corporais e materiais causados ao público
- Acidentes Pessoais Coletivo: garante indenizações pré-fixadas por morte ou invalidez, além de possíveis despesas médicas, independentemente de culpa
- Responsabilidade Civil Empregador: voltada a danos envolvendo funcionários durante a operação
- Seguro Patrimonial: protege a estrutura física contra eventos como incêndio e danos elétricos
- Riscos de Engenharia: especialmente relevante em parques itinerantes, cobre fases de montagem, desmontagem e testes
Mesmo com esse conjunto, Fischborn alerta que a existência das apólices não garante, automaticamente, que haverá indenização em caso de acidente. “A cobertura depende diretamente de como o risco foi contratado e de como a operação foi conduzida”, afirma.
Na prática, isso significa que alguns fatores podem comprometer ou até impedir o pagamento, entre eles:
- falhas de manutenção
- erro no enquadramento da apólice
- agravamento de risco ao longo da operação
Para o corretor, esses pontos mostram que o problema raramente começa no momento do acidente. Antes mesmo da operação, é fundamental que haja enquadramento correto da atividade, revisão de laudos técnicos, comprovação de manutenção e, em muitos casos, vistoria prévia por parte da seguradora.
“O episódio em Guaíba não é só um acidente isolado ele deixa claro como o seguro, especialmente o de Responsabilidade civil, é peça central na gestão de risco de atividades com alto potencial de dano ao público. Seguro não evita o acidente, mas evita o colapso financeiro”, resume Fischborn.
Segundo ele, quando há vítimas, os custos são imediatos e incluem atendimento médico, indenizações, despesas judiciais e possíveis acordos. Sem uma estrutura de seguro adequada, todo esse impacto recai diretamente sobre a empresa responsável, o que pode inviabilizar a continuidade da operação.
O episódio em Guaíba reforça que, mais do que ter seguro, é preciso ter a cobertura correta, e garantir que o risco esteja devidamente estruturado para que ela funcione quando for realmente necessária.
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