3 de junho de 2026
Por 🏆 Arthur Moraes
Leandro Leite, CEO da OnPoint
O mercado de seguros brasileiro sempre conviveu bem com a lentidão. Cotações demoradas, processos manuais, excesso de burocracia e uma cadeia operacional onde, muitas vezes, o tempo custava negócios. Enquanto boa parte do setor ainda tentava digitalizar planilhas e adaptar velhos processos ao novo mundo, a OnPoint, insurtech brasileira especializada em tecnologia para o mercado de seguros corporativos, decidiu fazer diferente: criou um ecossistema tecnológico pensado por quem nasceu dentro do seguro, e não apenas da tecnologia.
O resultado começa a chamar atenção do mercado. A empresa já ultrapassou R$ 600 milhões em prêmios emitidos, soma mais de 150 mil apólices emitidas e movimenta cerca de R$ 30 bilhões em importância segurada dentro da sua plataforma. Números que ajudam a explicar por que a companhia cresce cinco vezes mais rápido do que a média do setor brasileiro.
Para Leandro Leite, CEO da companhia, o avanço não acontece por acaso. “A OnPoint foi criada por profissionais com mais de 25 anos de experiência no mercado segurador. Não somos uma empresa de tecnologia que descobriu seguros, somos especialistas do setor que construíram tecnologia para resolver problemas reais”, afirma.
Na prática, a tese da empresa passa menos pelo discurso futurista e mais pela eficiência operacional. Hoje, 92% das apólices emitidas pela plataforma saem sem intervenção humana e em apenas 17 segundos. Um contraste brutal diante da realidade ainda presente em boa parte do mercado corporativo.
Mas o movimento mais ambicioso da companhia talvez esteja na Neuropoint, braço de inteligência artificial e dados da OnPoint. Em vez de vender IA como conceito, a empresa aposta em aplicações práticas. Os agentes proprietários desenvolvidos pela companhia analisam milhares de apólices diariamente, identificam padrões de risco, antecipam problemas operacionais e automatizam decisões que antes dependiam exclusivamente de análise humana.
“A Neuropoint não promete IA. Promete decisão”, resume Leandro. “Se a sinistralidade sobe em janeiro, a plataforma já apontou sinais em novembro com base nos dados que estavam ali esperando para serem lidos.”
Segundo a empresa, a tecnologia já opera dentro de seguradoras parceiras em processos de subscrição e análise de crédito, reduzindo em até 70% o esforço manual e diminuindo custos operacionais em cerca de 60%. Em um setor acostumado a falar sobre transformação digital há anos, a diferença está justamente na entrega prática.
A digitalização também mudou a dinâmica entre seguradoras, corretores e clientes. No mercado corporativo, velocidade virou vantagem competitiva. Quem responde primeiro, fecha o negócio. E é justamente nesse ponto que a OnPoint tenta ocupar espaço.
“O corretor não pode mais depender de processos lentos ou da mesa de subscrição para operações simples. Com autonomia e velocidade, ele ganha competitividade”, afirma o executivo. Hoje, mais de 3 mil corretores fazem parte do ecossistema da companhia, utilizando uma operação digital para emissão, endossos, renovações e gestão de seguros corporativos.
Enquanto muitas insurtechs ainda buscam validar modelos sustentáveis, a OnPoint aposta em um discurso mais pé no chão. EBITDA positivo, crescimento consistente e expansão baseada em operação e eficiência, não apenas em narrativa de inovação.
Para Leandro Leite, o mercado começa a entrar em uma nova fase de maturidade. “O Brasil vai separar as insurtechs que existem para resolver problemas reais das que existem apenas para contar uma boa história”, diz.
A visão faz sentido em um país onde a penetração do seguro ainda é considerada baixa diante do tamanho da economia. Há espaço para crescer, especialmente em segmentos corporativos e especializados, mas também uma pressão cada vez maior por eficiência, interoperabilidade e redução de atritos operacionais.
Nesse cenário, a OnPoint aposta no OPOS, sistema operacional próprio para gestão de operações de seguros, e na expansão dos agentes de IA da Neuropoint como pilares estratégicos para 2026. A ideia é aprofundar automação, ampliar parcerias e transformar o que ainda é exceção em padrão de mercado.
Porque, no fim, talvez o maior diferencial da nova geração de empresas do setor não seja apenas vender tecnologia. Seja fazer o seguro finalmente operar na velocidade do presente.
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