Catástrofes climáticas e seguro residencial: Até quando o Brasil tratará o risco com exceção?

Artigo de Marco Antônio Gonçalves, Presidente do Fórum Mário Petrelli e do Conselho Consultivo da MAG Seguros



6 de março de 2026

Por Marco Antônio Gonçalves
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Os estragos provocados pelas chuvas em Juiz de Fora e região voltam a expor uma fragilidade recorrente no modelo de proteção patrimonial brasileiro. A cada novo episódio de enchentes, deslizamentos ou alagamentos repete-se a mesma sequência: perdas materiais expressivas, famílias desassistidas e uma discussão tardia sobre a necessidade de ampliar a cobertura securitária para eventos dessa natureza.

Não se trata de um problema novo. O Brasil convive há décadas com eventos climáticos severos. O que mudou foi a frequência e a intensidade com que eles passaram a ocorrer. O que antes era tratado como exceção começa a se configurar como parte do padrão de risco do país.

Depois da catástrofe que atingiu o Rio Grande do Sul, o debate ganhou ainda mais força. Grupos de trabalho foram constituídos no Fórum Mário Petrelli de Fomento do Mercado de Seguros, na Fenacor e também no âmbito da própria SUSEP para discutir caminhos que permitam ampliar a proteção oferecida ao consumidor.

A questão central é: por que coberturas como alagamento, inundação ou desmoronamento ainda não fazem parte da cobertura básica do seguro residencial no Brasil?

Hoje, na maioria dos produtos disponíveis, essas proteções são tratadas como coberturas adicionais. Ou seja, o segurado precisa ter consciência do risco, solicitar a inclusão e aceitar o impacto no custo da apólice — algo que raramente ocorre sem a orientação do corretor de seguros. Na prática, milhões de residências permanecem protegidas contra incêndio, um risco hoje muito menos frequente do que eventos climáticos severos.

A realidade climática atual exige uma revisão desse modelo. O desafio é estruturar soluções tecnicamente viáveis que ampliem a cobertura sem tornar o seguro inacessível para a população.

As chuvas em Juiz de Fora são mais um alerta de que essa discussão precisa avançar com mais rapidez. Em um país cada vez mais exposto a eventos climáticos extremos, proteger o patrimônio das famílias não pode continuar sendo uma exceção contratual.

O seguro existe justamente para transformar incerteza em proteção organizada.

E a próxima chuva forte não vai esperar o fim do debate.




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